Ragnarok 2 e o Zoológico Fantasma

 

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There and back again. Ragnarok faz parte da minha vida desde que estava no colegial.

Na época havia entrado no hype de cabeça. Comprava os manhwas (que nunca terminaram a história), odiava e amava as colunas do Eric Araki nas EGN´s da vida. Depois do Tíbia, acho que Ragnarok foi o segundo jogo que me fez varar noites no fim de semana. O jogo apesar de simples, fisgava seu público baseando-se em três pilares: A mecânica “Diablo” de ser, onde você é incentivado a matar,matar e matar monstrinhos infinitamente, a histérica “mangá” que estava começando a ficar popular naquela época e a comunidade. Havia dezenas de blogs, sites e fóruns onde se podia passar  horas pesquisando sobre como conseguir itens raros, ficar forte mais rápido, ou, meu favorito, as especulações.

Bom e Velho Ragnarok Online

Bom e Velho Ragnarok Online

Todo jogo que se presa, deve causar isso em seus jogadores, aquele frio na barriga, que antevem o pronunciamento de uma nova expansão, as mil teorias sobre classes novas, novos inimigos e desafios. Com o tempo, o “Rag” foi apresentando sinais de envelhecimento, jogos novos traziam paradigmas mais atualizados, o jogador atual de MMORPG não queria saber de matar cinco mil Porings para conseguir um item. As pessoas passaram a querer profundidade no enredo, quests complexas (até então, o máximo que existia era a já manjada história de matar 50 orcs guerreiros, depois 60 orcs lanceiros e 15 goblins magos) – O velho Rag precisava ser reinventado,  em um nível, que uma mera expansão não seria suficiente, começaram os rumores, e ficamos felizes.

Em 2007 surgiam as novidades, montado sobre uma plataforma chamada Gamebryo Engine (uma vertente da saudosa Unreal 2.5) o jogo agora seria em um ambiente totalmente 3D. Me lembro que o maior choque na época, foi que a nova iteração do jogo pouco lembrava a icônica MIdgard do Rag de 2002. Agora era inserido um sistema de classes, e mesmo estas, eram bem diferentes do que estávamos acostumados. A jogabilidade abandonou o velho clica clica sem fim, e abraçou o novo século e sua movimentação em dois eixos (teclado + mouse), muita gente torceu o nariz e não se adaptou. O game não teve aderência, a migração nunca ocorreu e alguns anos depois, os servidores foram desligados. A Gravity (empresa coreana que é dona da franquia Ragnarok) anunciou que em breve teríamos o Rag que “merecemos”.

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Primeiro Ragnarok “2”

 

Eis que a algum tempo, Ragnarok Online 2 – Legend of Second sugia.

O jogo surgiu em meio ao descontentamento da comunidade, os desenvolvedores então, prometeram um game atualizado, mas que tivesse todo o espírito do velho Rag 2D.

A mecânica de cartas estava de volta, as classes seriam repaginadas, mas em sua essência permaneciam a mesma. Vendo tudo isso (e após ver um vídeo de uma galera matando o bom e velho Baphomet nos jardins de Prontera) resolvi dar uma chance.

Resumindo minha experiência,  a cada minuto que jogava o novo game, tinha mais vontade de voltar para o antigo. Vamos aos porquês.

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Apesar de ser muito bonito esteticamente, e ter uma identidade visual que realmente lembra o antigo jogo, Rag 2 Lots é absurdamente colorido, sério, parece que seu guerreiro (mago, ladino ou sacerdote) está preso na dimensão do docinho. Entendo que o primeiro jogo tinha um ar “Kawai”, mas isso não era levando ao extremo, As cidades ainda pareciam cidades, os bosques eram bosques. Neste novo jogo não, tudo, absolutamente tudo, tem uma cara colorida, flores coloridas em cada esquina, tudo sadicamente transbordando alegria e meiguice.

Ok, talvez seja a idade me transformando em alguém preconceituoso, entretanto as críticas não param por ai. Ao assistir um vídeo de game play, a primeira (e maior) impressão que temos, e de que o jogo não passa de uma “Skin” mangá para o MMO World of Warcraft – O que seria incrível, mas não é esse o caso.

Em tese, as mecânicas realmente lembram o jogo da eterna luta entre orcs e humanos – você usa WSAD + mouse para movimentar, espaço para pular e os números para os ataques especiais, magias e itens de cura. Entretanto a sensação que tive, é de que alguém não fez seu trabalho, tudo parece truncado, a movimentação do personagem é porca, e seu “boneco” andará sozinho até um monstro ou NPC, caso você o selecione com o mouse.

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A interface é confusa e sobrecarregada, ao iniciar um novo personagem, você é inundado por centenas de janelinhas com tutoriais e convites a loja de itens (coisas que você pode comprar com dinheiro da vida real).

Não bastasse todo estupro visual que o jogador sofre, o jogo ainda faz questão de constantemente encher sua tela com mensagens gigantes de promoções, propagandas para assistir gameplay no Twich (ok, se já estou jogando, pra que ver um gameplay?) e avisos em geral, tudo foi produzido com fonte e cores espalhafatosas que quebram qualquer imersão que você possa ter.

Um terrível Passeio no Zoológico

Um terrível Passeio no Zoológico

Ah! Falando em imersão, a Gravity tornou a tarefa de mergulhar no jogo em algo bem complicado, os monstrinhos ficam todos agrupados, em um canto específico do mapa, esperando serem mortos, nada orgânico sabe? Fazer as quests do RAG2 Lots é mais ou menos como um passeio hardcore ao zoológico,  onde o jogador precisa apenas ir de cercado em cercado, matando os pobres bichinhos, que ficam cada um na sua, estrategicamente posicionados e escalados por nível de força, no caminho que o jogador terá de fazer entre uma cidade e outra.

Em suma, diria que falta capricho, e falta alma, tudo parece uma grande arapuca, armada com o intuito de capturar os antigos amantes da franquia. Mas tudo acabou vazio, melhorando um pouco a analogia anterior, jogar o novo Ragnarok é como voltar ao zoológico que você havia ido quando tinha 10 anos, só que agora todos os bichos foram trocados por animatrônicos e barraquinhas de suvenir super faturados.

Não vale o ingresso.